FRANQUIA "BATMAN" FAZ CRÍTICA A USOS E COSTUMES IANQUES
INÁCIO ARAUJO

Ninguém é obrigado a fazer o que não quer, diz Clint Eastwood em resposta a seus colegas diretores que se queixam das exigências dos produtores.
Com efeito, ser um "yes man" é, de certa maneira, uma escolha. É verdade que a indústria de cinema, nos EUA, paga muito bem. Mas quem se deixa comprar, no mínimo, perde o direito à queixa.
Tim Burton ilustra bem como é possível se equilibrar na corda bamba da indústria, fazendo obra comercial, sem abdicar da pessoalidade. E ele o fez no momento mais triunfal da cultura do "blockbuster", na virada para os anos 1990.
Hoje, é possível verificar como "Batman" e "Batman, o Retorno" constituem um olhar crítico sobre os usos e costumes, políticos inclusive, da sociedade americana. É o mínimo que se pede, na verdade, de uma obra de arte. Mas filmes são, primeiro, uma mercadoria. Viva esses caráteres fortes, como Burton, que traficam suas obras de arte.
(texto publicado na Folha de S. Paulo do dia 17 de setembro de 2007)
INÁCIO ARAUJO

Ninguém é obrigado a fazer o que não quer, diz Clint Eastwood em resposta a seus colegas diretores que se queixam das exigências dos produtores.
Com efeito, ser um "yes man" é, de certa maneira, uma escolha. É verdade que a indústria de cinema, nos EUA, paga muito bem. Mas quem se deixa comprar, no mínimo, perde o direito à queixa.
Tim Burton ilustra bem como é possível se equilibrar na corda bamba da indústria, fazendo obra comercial, sem abdicar da pessoalidade. E ele o fez no momento mais triunfal da cultura do "blockbuster", na virada para os anos 1990.
Hoje, é possível verificar como "Batman" e "Batman, o Retorno" constituem um olhar crítico sobre os usos e costumes, políticos inclusive, da sociedade americana. É o mínimo que se pede, na verdade, de uma obra de arte. Mas filmes são, primeiro, uma mercadoria. Viva esses caráteres fortes, como Burton, que traficam suas obras de arte.
(texto publicado na Folha de S. Paulo do dia 17 de setembro de 2007)
2 Comments:
Concordo completamente: para mim, Tim Burton é o exemplo mais bem-sucedido de que o equilíbrio é possível sim.
Gostei muito daqui. Voltarei.
:)
E Inácio, estudo muito por seus livros. Gosto bastante.
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Mariana Paiva, at 4:15 PM
gosto desta expressão "traficante" ou "contrabandista", que o scorsese utiliza para identificar esse tipo de realizador que insere seus questionamentos mesmo nos modelos rígidos do cinema de gênero norte-americano. é muito diferente do lenga-lenga "cinema de entretenimento com qualidade" que tanto seduz nossos cineastas e que não passa de firula publicitária.
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Anonymous, at 6:34 AM
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