PERNAS FAZEM A GRAÇA DA "BELA DO BAS-FOND"
INÁCIO ARAUJO

Talvez o que haja de mais encantador em "A Bela do Bas-Fond" sejam as evidências físicas que nos fornece Nicholas Ray, diretor deste filme de 1958. Robert Taylor é um advogado de gângsteres. Está afundado até o pescoço nas sujeiras dos patrões. Ele se apaixona por uma "party girl", na pessoa de Cyd Charisse.
O que tem de mais nisso? É que Taylor é manco (no filme), enquanto Cyd tinha as mais belas pernas do mundo (no filme ou em qualquer outro lugar). O defeito físico de Taylor é o lado visível de sua fraqueza moral.
Daí que, em contato com as pernas de Cyd Charisse, que é uma mulher com posição infinitamente mais frágil ("party girl" é garota de programa, no fundo), Taylor descobre na força moral da mulher a força para se opor a seus patrões e tentar mudar de vida.
O melhor cinema é assim: sempre arruma um jeito de trazer as coisas mais profundas para a superfície, o território das evidências, mas também o do acontecer.
(texto publicado na Folha de S. Paulo do dia 06 de março de 2008)
INÁCIO ARAUJO

Talvez o que haja de mais encantador em "A Bela do Bas-Fond" sejam as evidências físicas que nos fornece Nicholas Ray, diretor deste filme de 1958. Robert Taylor é um advogado de gângsteres. Está afundado até o pescoço nas sujeiras dos patrões. Ele se apaixona por uma "party girl", na pessoa de Cyd Charisse.
O que tem de mais nisso? É que Taylor é manco (no filme), enquanto Cyd tinha as mais belas pernas do mundo (no filme ou em qualquer outro lugar). O defeito físico de Taylor é o lado visível de sua fraqueza moral.
Daí que, em contato com as pernas de Cyd Charisse, que é uma mulher com posição infinitamente mais frágil ("party girl" é garota de programa, no fundo), Taylor descobre na força moral da mulher a força para se opor a seus patrões e tentar mudar de vida.
O melhor cinema é assim: sempre arruma um jeito de trazer as coisas mais profundas para a superfície, o território das evidências, mas também o do acontecer.
(texto publicado na Folha de S. Paulo do dia 06 de março de 2008)
2 Comments:
Adoro Ray(Amargo Triunfo,Sangue sobre a neve,Johny Guitar...), mas infelizmente esse ainda não pude ver.Pôxa,ainda mais com a Cyd Charisse...
Diego,tem algum texto acerca do último Tim Burton, o musical?
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Anonymous, at 1:18 PM
Quem escreveu a crítica do Sweeney Todd na Folha, se não me engano, foi o Cássio. Mas teve um texto do Inácio sobre o Oscar, publicado no dia da premiação, no qual há um comentário positivo sobre o filme.
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Diego, at 6:41 PM
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