Canto do Inácio

Thursday, April 17, 2008

FALSA LOURA
INÁCIO ARAUJO


Me parece o melhor Carlão desde "Alma Corsária", mas entendo quem teve dificuldade de compreendê-lo. Nós nos acostumamos com um cinema óbvio, roteirístico, não cinematográfico, em suma.

De maneira que a escrita muito incisiva da "Falsa Loura" acaba soando estranha. O "cinema industrial" (ou comercial) parece que está vencendo a batalha no Brasil, em parte porque o sistema de produção vai para esse lado, em parte porque o cinema anda mesmo muito inculto.

O que me parece excepcional no filme é ser o primeiro plenamente realizado ("Garotas do ABC" era um tanto dispersivo, nesse sentido, porque tocava em muitas coisas, talvez demais) sobre o proletariado pós-marxista, ou seja: o proletariado, como comportamento, num momento em que não tem nenhuma defesa. A falsa loura é bem isso, tanto mais que é uma brava garota, uma brava personagem.

Em outros tempos, talvez fosse uma líder sindical ou algo assim. É um filme difícil e realmente impressionante.

8 Comments:

  • Hello. This post is likeable, and your blog is very interesting, congratulations :-). I will add in my blogroll =). If possible gives a last there on my blog, it is about the Transplante de Cabelo, I hope you enjoy. The address is http://transplante-de-cabelo.blogspot.com. A hug.

    By Anonymous Transplante de Cabelo, at 6:47 PM  

  • O pai da personagem principal não é aquele que usou verba da faculdade para mobiliar o próprio apartamento? Inácio, você poderia fazer algum comentário sobre o Estômago? Obrigado.

    By Anonymous Jomar, at 7:50 AM  

  • Inacio said...

    Jomar, Estômago me pareceu uma estréia bem interessante mesmo. Agora, não sei o que dizer dessa montagem paralela entre restaurante (passado, teoricamente) e prisão (presente). Porque aí o filme me parece que pode estar trapaceando, isto é: o personagem que chega à cidade é o mesmo que entra no presídio... Quando juntamos as duas partes, sabemos o que ele apronto então me parece que ele não era a mesma pessoa, aquele ingenuidade toda.
    Acho que a cena em que o cara aparece fritando uma carne que, em seguida, sabemos de onde vem (não digo para não atrapalhar quem não viu o filme) me parece de uma infelicidade sem par.
    Em compensação, a idéia do final, a questão do poder, de uma tomada do poder vista pelo andar da cama é muito boa. A morte do bandidão na cadeia também me pareceu fraca.
    Mas esses momentos não invalidam o filme, são só uns temas para conversa.
    Mudando de assunto: alguém sabe me dizer se o cara do Transplante de Cabelo entrou pra fazer propaganda ou se está de sacanagem colmigo?

    By Anonymous Anonymous, at 6:57 AM  

  • Acho que é só propaganda mesmo, Inácio.

    Sem levar em conta a calvície do crítico ou a dos leitores, talvez o cara tenha se aproveitado do post (Falsa Loura e tal) para falar de cabelos, enfim... Quem sabe?

    By Blogger Diego Assunção, at 7:13 AM  

  • Mestre Inácio, desta vez não deu para o seu tricolor. Uma vitória, digamos, apimentada. Avanti, Palestra!! Grande abraço. Leo Cruz

    By Anonymous Leo Cruz, at 2:19 PM  

  • Olá,

    Pode ser aqui postado o texto sobre o excelente A Espiã?
    Abraços ao Inácio e ao Diego,

    Alessandro.

    By Anonymous Alessandro, at 12:56 PM  

  • não vi falsa loura ainda, mas o carlão que mais aprecio é o de Dois Córregos. É um filme da água e da música. O rio que passa é ensolarado e sereno como as lembranças que narram a história, e a música ora tranquila ora turbulenta guia a paixão que toma conta de ricelli (sua melhor interpretação) e ingra liberato (nunca esteve tão apaixonante).

    difícil ver um filme nacional com essa qualidade de seleção de música. não porque a música seja a erudita ou clássica. mas o uso da música atende aos detalhes da personalidade dos personagens.

    as águas do rio seguem seu compasso e não voltam. a música segue seu fluxo e não volta. só as lembranças podem trazer de volta o rio em que se entrou, a música que se tocou e a vida que não pôde ser vivida.

    abraços,
    joêzer.

    By Anonymous nota na pauta, at 6:24 PM  

  • Tá bom... tá bom... o fato dele ser teu amigo não influencia em nada sua opinião... tá bom... Depois a gente reclama da hipocrisia e nepotismo dos políticos. No Brasil, o cinema é a única arte que se vc for um bom filosofo, um bom sociólogo vc é considerado um bom cineasta. Mesmo que a direção de atores seja fraca, que o encadeamento da história seja irregular ou as cenas sejam ingênuas. Pra lembrar, David Lynch tem histórias nem um pouco lineares tem milhões de pessoas que amam ele. Será que não gostar de Falsa Loura não é motivado por outra coisa?

    By Anonymous Anonymous, at 1:45 PM  

Post a Comment

<< Home