Canto do Inácio

Monday, December 04, 2006

CRITÍCA 3
INÁCIO ARAUJO

O Eugenio Bucci disse, no primeiro dia do seminário, uma coisa com a qual não estou de acordo. Ele disse que é mais importante escrever sobre filmes brasileiros porque eu posso influenciar quem fez o filme. Mas um diretor americano está se lixando para o que eu digo.

É verdade.

Mas por que eu quereria influenciar um diretor, brasileiro ou não? A crítica me parece uma conversa. Eu posso conversar sobre Kafka, embora ele esteja morto e seja ininfluenciável, e ser uma conversa agradável.

E não seria uma arrogância muito grande eu ter a pretensão de dizer ao Tonacci ou ao Giorgetti ou ao Diegues o que eles devem fazer? Ou no que eles erraram? Garanto que eles sabem o que fizeram.

Há os que não sabem. E nesse caso não há de ser um escrito que dará jeito na coisa.

15 Comments:

  • Perfeito.

    By Anonymous bruno, at 8:08 AM  

  • É isso mesmo. Como dizia o grande Walter da Silveira, "o crítico erra toda vez que se atribui a posição de julgador do talento ou da mediocridade do cineasta, como se os críticos formassem um conselho de jurados, a absolverem ou condenarem o realizador".

    By Blogger Julio Bezerra, at 9:01 AM  

  • Genial ("Mas por que eu quereria influenciar um diretor, brasileiro ou não?")

    By Anonymous Diego, at 6:46 AM  

  • Oi Diego, mais uma vez parabéns pela bela seleção. Esse texto é delicioso. Não sou fã de carteirinha do Inácio, como você, mas o respeito muito. Ele é um grande crítico. Somente vou te dizer uma coisa: sou jornalista, convivo no meio e posso te dizer que esse Eugênio Bucci é um medíocre e um puta dum babaca. Ele não vale nada e prejudicou a vida de muita gente talentosa. É um invejoso, sem escrúpulos. Não podia deixar isso passar. Espero que o blog continue. Abraços, Matheus.

    By Anonymous Matheus Trunk, at 3:45 PM  

  • "Ele disse que é mais importante escrever sobre filmes brasileiros porque eu posso influenciar quem fez o filme".


    Bem, quem conhece o Inácio sabe que boa memória não está entre as qualidades dele. Nesse caso, vale lembrar que a idéia acima não é original. Paulo Emilio escreveu isso 40 anos atrás.

    By Anonymous daniel, at 6:24 AM  

  • E as outras idéias, Daniel?

    By Blogger bruno andrade, at 3:47 PM  

  • Acredito que nem a idéia que me parece primordial no post é "original", mas ser "original" realmente é o que importa aqui? Talvez não seja original, mas é uma idéia (essa "conversa") que não anda sendo muito praticada na escrita de cinema que lemos por aí.

    Inácio ainda é dos poucos críticos que parecem conversar com os filmes. É comum encontrarmos em uma mesma semana (em sua coluna diária dos filmes pra TV) comentários complementares para um mesmo filme. Para ele, diferente do que muitos pensam por aí, não basta escrever um artigo sobre um filme e achar que o "assunto" está acabado. Ele tem consciência (humildade?) suficiente para perceber que os críticos estão sujeitos a enxergar menos do que o devido. Com isso ele faz de cada retomada de uma obra, uma leitura mais do que obrigatória (vide suas análises de "Terra dos Mortos", publicadas no decorrer da última semana).

    Ah, já sobre a memória dele: essa parece não ser mesmo uma das virtudes dele (perguntando uma vez sobre um filme do Cimino, ele falou que não se lembrava, não sabia se tinha visto ou de que ano era).

    By Blogger Diego, at 6:10 PM  

  • o que eu disse não é uma crítica ao que o Inácio diz, nem uma questão de "originalidade", apenas quis lembrar os leitores daqui sobre as trajetórias das idéias. Na verdade, a tal idéia, original ou não, é atribuída pelo Inácio ao Bucci - por isso que eu achei que cabia esclarecer.

    quanto à memória dele, já vi mais de uma vez ele não lembrar de textos dele. Uma vez, antológica, o Vebis lembrou de um texto que, segundo ele, teria feito com que ele resolvesse "fazer cinema". E cadê que o Inácio lembrava de ter escrito o texto? Ele não lembrava nem que tinha visto o filme!
    ;-)

    By Anonymous daniel, at 7:58 AM  

  • Mas o Bucci citou o Paulo Emilio pelo menos?

    By Anonymous diego, at 4:13 PM  

  • Não sei. É provável que sim, porque esse é um argumento bem conhecido do PE, desenvolvido num texto clássico (de cabeça, sem certeza, acho que é em "festejo muito pessoal")

    By Anonymous da, at 10:08 PM  

  • ih... Bem, obviamente a msg foi com o nome incompleto.

    By Anonymous daniel, at 10:09 PM  

  • olha, pessoal

    aí não é questão de memória. não me consta que o PE tenha dito isso. é uma idéia pauloemiliana, até se pode dizer, mas penso que seja do eugênio mesmo.
    a maria do rosario, que organizaou a mesa, não mencionou o PE, nem mais ninguém que estivesse lá. então, se é do PE não é que eu esqueci, é que eu não sei mesmo.

    By Anonymous Anonymous, at 6:30 PM  

  • desculpe, esqueci de assinar o comentário, mas, claro, sou eu.

    Inácio

    By Anonymous Anonymous, at 6:30 PM  

  • Acho que agora ficou tudo esclarecido... Bem, falta o Daniel responder a pergunta do Bruno, hehe.

    By Blogger Diego, at 8:20 PM  

  • Eu concordo com a idéia central. Acho que o crítico escreve pro leitor imaginário, que não precisa e, mais que isso, não deve ser o realizador do filme, e sim parte do público.
    Não acho que isso seja uma regra pétrea, claro. Sempre pode pintar exceções. Mas, no geral, concordo. O importante não é "convencer o Tonacci" ou "o Diegues", mas gerar idéias (sobre o filme que for).

    Mas, olha, mestre Inácio se enganou - Paulo Emilio escreveu isso sim, exatamente essa idéia do Bucci. Só não lembro se foi no texto "Explicapresente" ou no "Festejo Muito pessoal" - estou sem o "Intelectual na linha de frente" aqui, então não tenho como conferir. Mas a idéia escrita era essa mesma, que a crítica ao filme braisleiro pode dialogar com o realizador.

    By Anonymous daniel, at 8:36 PM  

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