Canto do Inácio

Sunday, April 29, 2007

UM PLANO DE MARK ROBSON
INÁCIO ARAUJO

Peguei no meio "Meu Maior Amor", do Mark Robson.

Aí há uma cena em que está uma funcionária sentada, datilografando. Ao fundo, entra a Susan Hayward e fala com ela.

A funcionária encaminha Susan a falar com a superiora, dirigindo-se à esquerda do quadro. Susan vai atrás dela e a câmera a acompanha em panorâmica, ela se aproxima, o quadro se fecha até o PP dela.

Ela passa e o quadro se abre novamente. Vemos então uma ampla sala. No fundo, à esquerda, uma senhora (a quem Susan procura), no centro, Susan, de costas. À dir., bem no canto, a funcionária que a levou até lá.

O Mark Robson não é nenhum gênio, mas o filme tem momentos como esse, de muita fluência. A questão é que, quando você vê uma coisa assim, depois não tem como defender "Ó Pai, Ó", por exemplo.

Porque não é um tecnicismo, cara Rosário. Assim como o fraseado do Machado de Assis não é um tecnicismo: é o que ele é.

Cinema não é tão diferente. Cinema, no fundo, são aproximações e distanciamentos. Isso vale para qualquer parte do mundo. Não adianta querer inventar a roda.

5 Comments:

  • Que filme é esse? Não estou encontrando no IMDb. Abraços

    By Anonymous Tuco, at 9:59 AM  

  • Tuco, o título original é "My Foolish Heart", filme de 1949.

    By Anonymous Diego, at 11:11 AM  

  • Tocou na ferida, fez ver, neste 'post, o que é a arte do filme, fez compreender o cinema. Grande parte da crítica, no entanto, e infelizmente, não compreende, como você compreende, a maestria de um momento como o citado, de Mark Robson. Saber observar isso é descobrir a chave do cinema.

    By Blogger André Setaro, at 9:48 AM  

  • Oi, Inácio, acompanho seu blog, seus comentários e gosto muito. Agora, fiquei curioso, qual é a polêmica entre você e a Rosário? Agradeço se vc puder esclarecer...
    Obrigado.

    By Anonymous Raphael, at 10:02 AM  

  • Comentário cirúrgico, digamos.

    By Blogger Ivan, at 7:45 AM  

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